Dia de
manifestação contra os governos Temer-Sartori. Uma
manifestação plural, democrática, repleta de
organizações sindicais, professores, estudantes,
pessoas de todas as esferas sociais unidas por um só clamor: o
fim dos governos corruptos e propinocráticos.
Era uma
sexta-feira, no centro de Porto Alegre, na “esquina democrática”
- não poderia haver local mais adequado. Cheguei e integrei-me
à multidão. No carro de som, discursos e palavras de
ordem, jograis e alternância de palestrantes. Na multidão,
caras, rostos, formas e cores variadas, embora fosse predominante o
vermelho. Levei minha flâmula auriverde do Brasil Imperial,
atrelada a um mastro improvisado na bicicleta. Ganhei adesivos de
Fora Sartori e Fora Temer. Assisti às falas enquanto algumas
pessoas me abordavam perguntando o que era aquela bandeira, o que
significava. Encontrei dois monarquistas convictos, um deles
professor de história, o outro, conhecedor do parlamentarismo
monárquico desde Cunha Bueno e do plebiscito de 1993.
Parecia tudo belo até
que partimos em caminhada, descendo a av. Borges em direção
à av. Júlio de Castilhos. No caminho fui abordado por
um militante que mostrou seu horror à bandeira que eu levava,
ameaçou-me e fez intimações severas a que eu me
retirasse dali. Mas aquela não era uma manifestação
democrática, sem uma liderança central, uma
manifestação plural? Afastei-me para outro lado da
passeata. Em vão. O indivíduo, com óculos
espelhado estiloso e armação dourada, cabelo crespo em
estilo semi-blackpower (ou antes um blackpower em crescimento), refez
suas ameaças, e pediu ajuda a militantes mascarados.
Retirei-me para a parte traseira da multidão, e enquanto
caminhava em sentido contrário aos manifestantes, eis que
senti um puxão. Era um mascarado que agarrava o pavilhão
imperial enquanto outro derrubava a bicicleta lançando-me ao
chão. E ali, no solo desta cidade, certo de um linchamento
sumário, recebi mais uma chuva de ameaças e impropérios
do militante (que muito se assemelhava ao personagem “Patropi”) e
seus comparsas mascarados. Quanto a mim, apenas perguntava-lhes por
que me agrediam e que democracia era aquela que eles defendiam e que
usava a violência ao invés da razão. Por sorte
algumas almas benévolas e menos afetadas pelo fanatismo vieram
em meu socorro e uma delas me disse “-Sai daqui, estamos te
protegendo”. Rendo aqui gratidão a esses anjos da razão
que nadavam num mar de fanatismo.
Assim
fui expulso daquela manifestação em que se pregava a
democracia, a pluralidade e a razão por pessoas que aplicavam
a violência a unidade ideológica e o fanatismo como seus
elementos de persuasão, uma persuasão que, na falta de
argumentos, precisa elevar a voz para impor suas ideias. Concluí
que muitos dos que pregam a democracia não nenhum pouco
democráticos. Que Deus tenha misericórdia do nosso
Brasil.
Um brasileiro
